sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Custo da Alimentação Saudável - Delivery Frutas Curitiba








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O Custo da Alimentação Saudável

Krystal D`Costa

Maureen Reilly, CC

S. assumiu o preparo do jantar durante a semana, o que ajuda a comermos mais cedo – mas ele gostaria também que comêssemos de forma mais saudável. Ele investiu muito tempo para aprender as opções alimentares e substitutos saudáveis para os alimentos mais pesados que aprecia. Nosso cardápio diário mudou e inclui regularmente arroz integral, muita salada e legumes e carne branca magra. Ah, e aveia, muita aveia. O leite desnatado é o mais difícil para mim. Embora ele tenha deixado claro que euposso comer o que quero, como ele se esforça para comer bem e melhorar a forma, parece certo fazermos isto juntos, o que significa limitar os dias de lasanha, frango à marsala e pesto ao jantar de domingo. Algo bom, mas eu realmente sinto muita falta de leite integral.

A mudança nos tornou mais conscientes do que compramos e de quanto custa criar uma refeição saudável. É difícil e mais profundo que a reclamação típica sobre ter que desistir de delícias. Requer uma mudança social e comportamental, exige ainda uma nova análise do orçamento alimentar e significa questionar a eficácia do ambiente pessoal de alimentação: o local onde obtemos os alimentos é tão importante quanto quais são os alimentos.

Além de observar a ingestão de gorduras e sódio, há algo mais a considerar: a distância que estamos dispostos a percorrer para obter o alimento parece se relacionar ao nosso peso e bem-estar. Um estudo recentemente publicado na PLoS One descobriu que os franceses que compram nos mesmos supermercados locais tendem a ter índice de massa corporal semelhante à circunferência da cintura. Embora Basile Chaix e seus colegas admitam a existência de alguns desafios com este estudo, há algumas ideias gerais a serem aplicadas à relação global com alimentos e sua aquisição.

O estudo descobriu que quanto maior a distância que uma pessoa percorre até o supermercado básico, maior seu IMC e circunferência da cintura. Um motivo possível seria que, pelas visitas ao supermercado serem poucas e raras, a pessoa conta com produtos enlatados e menos frescos, além de não obter o máximo valor nutricional dos alimentos disponíveis. Outros fatores que parecem associados com um maior IMC e circunferência da cintura incluem nível sócio-econômico mais baixo, compra de marcas específicas de supermercados e a aquisição em supermercados com descontos.

Nova York reconheceu os desafios que moradores de bairros com nível sócio-econômico mais baixo enfrentam para obter produtos frescos e outras opções saudáveis de alimentos. Em Bedford-Stuyvesant e Harlem Central, por exemplo, mercearias são mais comuns que supermercados. Embora muitas vezes funcionem como centros de alimentação, em geral, são muito limitadas em sua oferta:

Oferecem menor variedade de produtos a preços mais caros que supermercados e outros estabelecimentos.

Têm menor oferta de leite desnatado, frutas e verduras.

Exibem mais anúncios de sucos açucarados, bebidas energéticas e cigarros.

Além disso, a opção de fast food predomina em bairros de baixa renda. Em geral, o ambiente alimentício disponível nesses bairros é pouco variado. Para combater essas limitações, a cidade lançou em 2008 a iniciativa Green Cart, programa que usa carrinhos de venda de alimentos como estações móveis nos cinco distritos.

Os carrinhos, porém, enfrentam desafios próprios: lidar com o baixo tráfego de pedestres, concorrer com outros vendedores, encontrar e comprar produtos a preços acessíveis, guardar os carros, enfrentar o clima e as multas por infringir as regras rígidas da cidade (como vender perto de um cruzamento). Para hortifrutigranjeiros, supermercados e mercadinhos, estas barracas móveis, estejam na mesma calçada ou três quarteirões abaixo, são concorrentes nada bem-vindos. Então, qual é o ponto principal desses carrinhos? Obtiveram êxito em incentivar o consumo de produtos frescos em bairros de baixo nível econômico? Os resultados são mistos:

De 2008 a 2010, o percentual de moradores em comunidades com Green Cart que relatou não consumir frutas ou legumes no dia anterior aumentou de 17,1 para 18,1%; em bairros onde não há o Green Cart, este percentual diminuiu de 10,7% para 9,5%. Durante o mesmo período, o número de moradores em áreas com Green Carts que relatou consumir entre 1-4 porções diminuiu 2%. Residentes com Green Carts na vizinhança, porém, que relataram consumir cinco ou mais porções por dia aumentaram 1%.

É verdade que a mudança leva tempo, mas Chaix e seus colegas observam algo que pode nos ajudar a compreender a lenta adoção dos Green Carts: o acesso, em si, não é suficiente para mudar um comportamento. Se os clientes de um supermercado forem subitamente colocados no Supermercado B, seu comportamento de compras refletirá tendências enraizadas nas compras no Supermercado A.

Nem tudo depende do acesso, embora ele seja parte da questão. Segundo Chaix e colegas, a qualidade dos produtos disponíveis é questionável:

Outro estudo francês publicado em 2009 não relatou diferença sistemática entre os produtos com preços baixos e os de marca em termos de conteúdo de nutrientes, matéria-prima, análise microbiológica, ou sabor. Neste mesmo estudo, porém, uma fraca relação sugeriu que a qualidade geral dos ingredientes aumentou com o preço dos alimentos (dentro de determinada categoria). Além disso, a informação nutricional básica e recomendações dietéticas eram menos frequentes em alimentos de baixo preço que em produtos de marca. Em geral, a informação publicada é escassa e fornece apenas evidência mista em apoio à ideia que supermercados que dão descontos favorecem a obesidade.

Se os clientes mantiverem suas tendências, mesmo com a opção de comprar em outro lugar, é provável que continuem adquirindo os alimentos básicos não perecíveis já familiares, especialmente diante do choque do preço. É muito difícil mudar hábitos. Para muitos residentes em bairros de baixo poder aquisitivo, contar com não-perecíveis disponíveis com pouco ou nenhum custo em bancos de alimentos, igrejas e outros centros sociais continua a ser uma opção viável para a alimentação familiar. Outra opção mais realista é comprar em mercadinhos ou lojas de desconto que aceitam vales-refeição, embora alguns carrinhos adotem uma máquina eletrônica que permite fazer o mesmo.

Onde e o que se come depende, na realidade, do volume de dinheiro no bolso. Isto, por sua vez, influencia a qualidade e a variedade de alimentos aos quais se tem acesso. Frutas e legumes frescos parecem um grande luxo quando se percebe ser possível triplicar a compra de enlatados com o que se gastaria com perecíveis, que estragam em uma semana se não consumidos. Ou aquela salada de almoço, pelo menos na cidade de Nova York, custará três vezes mais que uma fatia de pizza e um refrigerante de máquina. Existe um benefício nos alimentos saudáveis, que obviamente não é algo novo: reis e nobres sempre comeram melhor que o povo. Se quisermos, porém, quebrar hábitos alimentares insalubres desde a tenra idade, colocamos essas opções saudáveis ao alcance das crianças com gastos que podem não coincidir com os benefícios?

S. e eu analisamos as mudanças nos âmbitos pessoais de alimento ao longo dos anos, refletindo o quanto nossas finanças determinaram o que podíamos comer e onde comprar; mesmo quando tínhamos meios de buscar hortifrutigranjeiros e outras lojas especializadas mais longe, muitas vezes não o fizemos (e, na verdade, nem mesmo agora). Levantamos esta questão por pensarmos onde comprar para aumentar as opções de alimentos saudáveis e percebemos que, no início de nossa vida a dois, nosso supermercado básico era o de descontos, com enlatados amassados e deformados. Era lá que comprávamos o básico para a despensa, nossos frios vinham do mercadinho, estávamos cercados por opções de fast food: três chineses de entrega em um raio de dois quarteirões do nosso primeiro apartamento. E não que não tivéssemos um modelo de compras: tanto meus pais, quanto os de S., costumavam se deslocar para aumentar as opções de alimentos, mas não por opções saudáveis e sim por economia. Compravam produtos frescos principalmente pela diferença no bolso.

Os custos de uma alimentação saudável são negociados por uma série de fatores: finanças, sim, mas também por preferência alimentar, transporte, disponibilidade e qualidade. Até onde você iria para incorporar variedade à dieta?

Postado originalmente no blog da autora, em www.scientificamerican.comO Custo da Alimentação Saudável - Delivery Frutas Curitiba

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